Não dá pra entender porque algumas coisas acontecem. Questionar a origem de um sentimento é como os questionamentos das crianças, tão inimagináveis quanto possíveis.
Seria mais fácil explicar porque o céu é azul. Afinal, algum cientista com certeza falou da propagação de gases aliado a percepção de luz que os olhos enxergam: azul é o céu!
Não posso descrever algo que não sei de onde vem... boa época em que eu podia ser poetisa.
Quando digo que a melancolia é boa, é somente porque é mais fácil explicar.
O que os olhos vêem¿ bocas e seios, pelos e rosas.
E os narizes, o que sentem¿ aromas, perfumes variados, odores atraentes ou repulsivos, nostálgicos.
Ouvidos ouvem músicas especiais ou irrelevantes, tocantes ou tocadas.
Línguas lambem, diferem, confundem, regalam, propõem...
Mãos, rostos e pernas sentem todo o toque, roçam e pedem, sentem, se arrepiam, provam. Quem nunca provou um toque¿
Aliados estes sentidos formam uma imagem física.
E o que seria o sexto sentido senão a união dos outros cinco recebendo tempero e sendo misturados em um caldeirão com muitas coisas onde tudo se bagunça¿
Nas primeiras aulas de química aprendemos que um bolo é um composto homogêneo que não pode ser simplesmente fragmentado voltando ao estado original de seus ingredientes. Quanto a nós humanos é o mesmo, tentar fragmentar nossos seres não leva a nada.
O sentimento de que tudo está completo é aterrorizante, pode tornar-se cansativo.
O temor e a insanidade fazem parte deste sexto sentido que não ouso nomear.
É o fascínio de explorar, querer sentir minimamente as alterações ao seu redor.
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