quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Zoé Acire das Oliveiras – 22/07/2005 – 23:15h


Meu grande amigo,

Assim como a berinjela tem propriedades medicinais, conto a seguir um fato também sem explicação:
Nosso compromisso furtivo a tanto esperado acaba de colidir com iceberg chamado M...!
Preparei terreno, reguei as rosas, fiz o dever de casa na esperança de confiança e recebi em tom ameaçador a intimação de minha presença de volta ao tão querido lar.
Oh meu amor há tantas coisas...
É uma prisão semi-aberta, estou reclusa e meu traje de festa foi escondido!
Até quando? Até quando serei escrava das correntes invisíveis que prendem meu corpo a maldade da moral? Até quando devo temer e ansiar, rogar por uma fresta onde caiba um dedinho apenas, que possa sentir o que eu não posso conhecer.
Ai de mim, mal posso dizer qualquer coisa neste mundo, mas maldita a condição de certo e errado que abrange o mundo e alimenta de lá para cá!
Não brigues comigo querido, pois quando o dia amanhecer diremos bom d..., que saud..., sonhei com voc... É incompleto eu sei, mas quanto algumas coisas eu não posso desencadear desentendimentos.
Vamos ao passado fazer tudo diferente? Dar pontos nos cortes abertos? Ser crianças mais uma vez? Na inocência seria tão claro.
Que faço eu para que tenhas belas memórias? Para que não odeie minha condição de prisioneira dos medos sociais?
Cuida de mim?
Já não sei de me cuidar.
Das minhas fraquezas ainda farei fortalezas, mas agora não é hora. Diga apenas boa noite e espera a luz de fora se apagar para poder sorrir.
Obrigada pelo sal, sem ele minha salada teria cor, mas não sabor.

Zoé

Zoé Acire das Oliveiras – 20/07/2005

Uns dos sete pecados capitais
consegue invadir a alma dos
prisioneiros
Sangue nos olhos, dentes cerrados,
espinhos são cravados na pele,
carne, músculos, e ao chegar
nos ossos, produz uma faísca
que acende labaredas ardentes
na garganta.
Aí não há mais como escapar
A dominação do senso do sabor
desaparece.
Como vulcão em ebulição
tudo se resolve.
Milhares morrem queimados
castelos de pedras derretem
como torrões de açúcar
É aberto um perímetro de segurança
que não se pode avançar.
E o tempo passa, a calmaria volta
o fofo se abranda.
O solo atingido torna-se
especialmente fértil.
Vamos plantar cebolas!
Por enquanto ainda é seguro.

Gostei muito de ter visto sua reação hoje.
O impulso explosivo que te fez se revelar tão completamente, me fez acordar para o que realmente vai acontecer no “pós 27”.
Você tinha razão, nos momentos de emoção mais fortes a gente mostra muito do que ficou escondido, dormindo. É tão suave que me sinto até bem.
Cuide dos seus calos de relacionamento, com tratamento eles podem não sumir, mas vão parar de doer.
Boa noite por hoje

Zoé

*Fazer-me de vítima é minha especialidade*