Meu grande amigo,
Assim como a berinjela tem propriedades medicinais, conto a seguir um fato também sem explicação:
Nosso compromisso furtivo a tanto esperado acaba de colidir com iceberg chamado M...!
Preparei terreno, reguei as rosas, fiz o dever de casa na esperança de confiança e recebi em tom ameaçador a intimação de minha presença de volta ao tão querido lar.
Oh meu amor há tantas coisas...
É uma prisão semi-aberta, estou reclusa e meu traje de festa foi escondido!
Até quando? Até quando serei escrava das correntes invisíveis que prendem meu corpo a maldade da moral? Até quando devo temer e ansiar, rogar por uma fresta onde caiba um dedinho apenas, que possa sentir o que eu não posso conhecer.
Ai de mim, mal posso dizer qualquer coisa neste mundo, mas maldita a condição de certo e errado que abrange o mundo e alimenta de lá para cá!
Não brigues comigo querido, pois quando o dia amanhecer diremos bom d..., que saud..., sonhei com voc... É incompleto eu sei, mas quanto algumas coisas eu não posso desencadear desentendimentos.
Vamos ao passado fazer tudo diferente? Dar pontos nos cortes abertos? Ser crianças mais uma vez? Na inocência seria tão claro.
Que faço eu para que tenhas belas memórias? Para que não odeie minha condição de prisioneira dos medos sociais?
Cuida de mim?
Já não sei de me cuidar.
Das minhas fraquezas ainda farei fortalezas, mas agora não é hora. Diga apenas boa noite e espera a luz de fora se apagar para poder sorrir.
Obrigada pelo sal, sem ele minha salada teria cor, mas não sabor.
Zoé
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