terça-feira, 30 de novembro de 2010

Zoé Acire das Oliveiras – 19/07/2005

Olá...
Ontem eu escrevi a primeira carta e mandei hoje pelo correio, talvez você saiba, mas se escrever a expressão “Carta social” no envelope, você paga R$ 0,01.
Hoje eu quebrei seu sigilo hidráulico, descobri que a ligação está no nome do seu inquilino e que em 2001 vocês reclamaram falta d´água, quase que receberam água do caminhão pipa.
Acho que amanhã vamos nos ver, achei estranho o papo de ontem, parece que você não queria falar comigo, conversamos tão pouquinho.
Conte-me sobre o seu dia.
Hoje eu deixei aflorar uma das minhas crises consumistas, comprei um monte de roupas que você provavelmente verá.
Ia dizer para você assistir ao filme que passou ontem na Tela Quente, mas me esqueci.
Este negócio de escrever cartas é muito estranho (acho que estou sendo meio repetitiva), durante o dia lembrei-me de... Sei lá!
Assisti a um filme em que um cara bem velho que não tinha o que fazer, apadrinhou um garotinho africano de nome “Undugu” e mandava junto as doações mensais uma cartinha contando sobre sua vida. Em várias cartas ele reclamou da esposa: como ela roncava, como escovava os dentes, comia, tudo o que ela fazia o deixava irritado. Até que um belo dia ela morreu e ele não sabia o que fazer, sentia falta dela.
Se não me engano ele tinha um trailer (é assim que se escreve?) mas não lembro do que acontece depois, nem lembro do nome do filme... Mas até que é legal.
Hoje a L... dirigiu até o Tucuruvi, para eu não ficar nervosa, fui lendo uma revista até chegar lá, até que ela foi bem!
O dia está muito frio, na verdade a noite está fria e muito escura, não se pode ver estrelas no céu, suas cores se confundem de acordo com a intensidade das nuvens, quase não existe brisa, levemente ela toca o bambuzal que silenciosamente move-se devagar. A vida selvagem (que tocante!) se revela, faz barulho.
Neste exato momento me bateu uma insegurança... Imagino que enquanto você lê, fica pensando: “Que chatice”, talvez nem chegue a ler o que escrevi agora...
Mas se ler, por favor, pergunte-me sobre o sapo que fica na minha porta, é só para saber se estou me tornando cansativa.
Bem amiguinho, como diria você, agora já chega não é?
Hora de falar por telefone.
Zoé

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